Coluna do Alexandre
Nº 10 - Abril/2011

Daytona Bike Week

Rebelei-me contra meu motoclube, não tolero mais o presidente, tampouco os outros diretores. Já iniciei conversações com outros motociclistas tão insatisfeitos e inexpressivos quanto eu. Fundaremos novo motoclube e organizaremos nosso evento em São José da Pereba, urbe pertencente à região metropolitana de São Pedro dos Salgados. Uma vez que eventos como Tiradentes, São Lourenço, Rio das Ostras e Mateus Leme já estão por demais batidos, coloquei-me em marcha rumo ao Daytona Bike Week. Se for para me inspirar em algo que seja no maior evento do mundo.

O Daytona Bike Week reuniu 500000 motociclistas este ano, dentre os quais este colunista. É um número verdadeiramente grande, mas o encontro existe há 70 anos. Se eu conseguir reunir trinta pirados em meu primeiro evento e dobrar o número de participantes a cada ano, terei em 20 anos um milhão e duzentos mil motociclistas no encontro de São José. A partir de matemática simples demonstra-se que é plenamente possível superar o evento de Daytona. E o faremos em São José da Pereba!

Para que se tenha uma idéia da dimensão do evento de Daytona basta dizer que ele aconteceu simultaneamente em três diferentes lugares na cidade. Uma parte ocorreu na Main Street, rua que se inicia na praia de Daytona, a mais famosa do mundo segundo os locais e termina num cemitério onde se vendem roupas e acessórios motociclísticos com temas macabros. Uma segunda frente aconteceu no estacionamento do Speedway, pista oval onde ocorrem as 500 milhas de Daytona e onde também estavam os grandes estandes dos fabricantes. A terceira parte aconteceu à beira de um braço de mar, defronte a uma grande concessionária Harley Davidson. Para completar ainda existiam diversos bares em outras regiões que mantinham atrações e shows, além de um grande centro de exposições que funciona próximo à Main Street e que expunha motos, peças e acessórios durante o encontro.

Faremos parecido, em São José existe uma rua que liga o cemitério a uma cachoeira, nossa Main Street. A segunda parte ocorrerá em frente à rinha de galos, posto não sediarmos nenhuma etapa do mundial de fórmula Indy. A terceira parte será defronte à Cicle São João, concessionária Calói na cidade e que coincidentemente tem também à sua frente o Ribeirão das Perebas, que empresta seu nome à municipalidade. O centro de convenções não abrirá suas portas, nosso evento é feito por motociclistas para motociclistas, não cabendo exploração comercial.

Resolvidas as questões geográficas passemos à organização do evento. Em Daytona eram incontáveis as lojas de tralhas motociclísticas, jaquetas, botas, capacetes e roupas oficiais do evento, tudo vendido a preços inacreditavelmente baixos. Os estandes dos fabricantes de motocicletas colocavam à disposição de qualquer habilitado munido de sapato fechado e capacete uma infinidade de motos para test drives. Mineiros que somos faremos algo mais familiar. As lojas funcionarão às portas das casas, todas as nove. Venderão camisas, coletes e outras tralhas mais, bem como acessórios para motos, tudo muito barato. Nota fiscal ainda não existe por lá, o que possibilitará uma beiçada no fisco. Os test drives serão feitos nos diversos modelos em duas rodas de nossa concessionária Calói e em jumentos cedidos gentilmente pelos sitiantes locais.

Os bares em Daytona tinham como principal característica a presença de belas garçonetes, em trajes sumários, a dançar e se esfregar umas nas outras sobre os balcões, enquanto recebiam gorjetas dos motociclistas mais afoitos e eram exaustivamente fotografadas. Tais performances se alternavam com bons shows de rock’n roll nos diversos palcos cidade afora. Pensei em fazer algo próximo disso em nosso evento, mas imaginar dona Guiomar, dona da pensão, em cima do balcão e trajando um biquíni me fez desejar largar mão do evento, retornar aos Loucos das Gerais e agüentar o Emanuel.

Em nosso evento, assim como em Daytona, os shows serão de artistas locais, que se alternarão no palco do coreto. Teremos Pedro e José, Tião e Tomé, Tadeu e um outro cujo nome não recordo. Garantiram-me ser roqueiros da melhor qualidade e mais, sequer cobrarão cachê. Apenas exigiram pinga liberada e porções de pururuca

Na Flórida não existe exigência legal de uso do capacete, era comum vermos Harlistas com suas máquinas na Interstate 4, pilotando de chinelos, sem capacete, a 75 milhas por hora. Embora São José esteja sujeita às leis brasileiras, que nos exigem o capacete, não existe polícia. Os dois soldados lotados para o local encontram-se em licença médica há quatro anos e não dão qualquer sinal de melhora. Poderemos ter nossas caravanas de motociclistas sem capacete a cruzar todos os 950 metros da MG 838. Peço apenas aos amigos que trafeguem somente em primeira marcha, pois em caso de engate da segunda corre-se o risco de passar direto, sem avistar a cidade.

Alexandre Dias Pinto Coelho
alexandredpcoelho@yahoo.com.br