Coluna do Alexandre
Nº 14 - Outubro/2011

Multado

Em setembro último estive em férias. Este é um dos motivos da ausência de colunas nos últimos meses. Viajei com moto e sem moto, passei o mês inteiro em programas agradáveis, nos mais diferentes lugares. Foi tudo excelente, exceto meu encontro com um policial rodoviário estadual de São Paulo.

Estávamos em Atibaia, num congresso médico. Após o congresso passamos o dia, eu e Gabriel, a visitar as cidades próximas. Entre elas a capital do estado e Campinas. Passamos o dia na cidade de São Paulo e ao entardecer resolvemos retornar a Atibaia passando por Campinas, num percurso 70 Km maior que o usual, coisa que só motociclista entende, o mais longe é sempre mais agradável que o mais perto.

Ao sair da cidade no fim do dia, já na rodovia Bandeirantes, parei para vestir minha jaqueta. Parei em local de boa visibilidade, sem nenhuma placa que indicasse ser proibido parar ou estacionar. Desci da moto e cerca de 30 segundos depois uma viatura com quatro policiais parou. O policial sentado à direita, no banco da frente chamou-me, perguntando o que fazia eu parado ali. Expliquei que vestia minha jaqueta. O policial então, em tom grosseiro e ameaçador disse que só poderia parar em área habitada e que parar ali “era multa”. Que eu movimentasse o veículo imediatamente.

Tenho por política nunca discutir com alguém que tenha uma arma à cintura e um talão de multas na mão. Respondi um sim senhor habitual, montei na motocicleta, ainda sem a jaqueta e fui-me embora. Fiquei profundamente incomodado com a arrogância e prepotência do policial. Um sujeito bombadão, daqueles que usam farda justa, para parecer mais fortes que de fato são. Um daqueles tipos que não deveria estar ali, manchando a imagem de instituições sérias como a PM Paulista.

Procurei me lembrar de que estava passeando de motocicleta, numa rodovia de quatro pistas, lisa como um tapete, vendo um belo por do sol, enquanto meu interlocutor estava enfiado em um Gol, com mais três marmanjos, todos suados, sentindo o odor desagradável que todo carro cheio de homens exala. Relaxei e segui em frente. Cheguei a Campinas, tomei a proa de Atibaia e curti cada quilômetro de meu passeio. No dia seguinte retornamos a Belo Horizonte, pela deliciosa Fernão Dias e passei a pensar na próxima viagem.

Hoje, procurando contas na caixa de correio encontro a multa emitida pelo troglodita uniformizado. Não que me importe em pagá-la. Mais tem Deus a dar que o diabo, o governo e a polícia para carregar, mas lamentei imensamente não ter vestido a jaqueta. Soubesse eu que teria pela frente não somente a impolidez do guardinha, mas também a multa e teria calmamente vestido minha blusa e colocado minhas luvas. Hoje confesso claramente, não obedeci por achar que ele merecesse algum respeito, esse foi perdido no exato momento da estúpida abordagem. Nem tampouco pelo valor da multa, é só dinheiro. Obedeci somente pelos pontos na carteira, que pensei poder evitar o tratando como gente, coisa que ele não fez comigo.

Virão os pontos, não merecidos, gosto hoje um pouco menos de São Paulo do que gostara em outros tempos. E espero que nosso amigo um dia faça o que fez comigo com algum juiz, promotor ou general. Para que alguém o ensine o que seus pais e a Academia de Polícia não conseguiram ensinar.

Alexandre Dias Pinto Coelho
alexandredpcoelho@yahoo.com.br