Coluna do Alexandre
Nº 15 - Janeiro/2012

Comemorações

Este mês os Loucos das Gerais comemoraram dez anos de existência. Anos estes que se deveram muito mais à persistência do Emanuel do que a qualquer outra pessoa ou integrante. Não são muitas as agremiações que conseguem chegar aos dez anos de existência. A maioria morre ou apenas perde o significado pelo caminho, ainda que estes grupos continuem a existir.

Nem só coisas boas duram dez anos. O Cruzeiro já conta mais de noventa e continua a não prestar. O Galo passou de cem e ainda é uma torcida (da qual lamentavelmente faço parte) à procura de um time. Hitler chegou ao poder em 1933 e somente depois de doze anos a humanidade se viu livre dele. Cuba amarga uma ditadura há mais de 50 anos.

Por outro lado o Rock and Roll já ultrapassou os sessenta e ainda desperta paixões avassaladoras, a torre Eiffel, erguida em 1889 para a Exposição Universal daquele ano, era apenas uma estrutura temporária, hoje é a imagem de Paris. A Harley Davidson deixou para trás os cem anos e, mais que uma moto, tornou-se lenda. Grupos como os Águias de Aço são exemplos de longevidade em nosso meio, mostras de como uma idéia bem conduzida e bem cuidada sobrevive ao tempo.

Ultrapassar dez anos de existência em atividade, mais do que mostrar resiliência, ilustra que determinados ideais conseguem o apreço de seus defensores e que nada é mais longevo que a boa intenção, que o espírito correto. Eu fiz parte de cinco destes dez anos, talvez a maior virtude de nosso motoclube seja o espírito desarmado. Não temos a intenção de ser melhores que ninguém, não buscamos corrigir o mundo nem a nós mesmos. Não nos julgamos escolhidos ou diferentes dos demais apenas por termos escolhido um lazer que envolve motocicleta ao invés de uma lancha ou um taco de golfe.

Somos um grupo dos mais heterogêneos, temos entre nós integrantes dos mais diferentes tipos, com as mais diferentes profissões, gostos, motocicletas. Pouco nos importa de onde somos, o quanto ganhamos ou o que fazemos. Importamos-nos com o que faz diferença, a camaradagem, a honestidade, o bom-pracismo. Sei que o motoclube pode durar outros dez anos ou se dissolver em semanas, faz parte do jogo. Por outro lado encontrei aqui bons amigos, dei boas risadas, curti o real espírito do motociclismo e isso vai comigo onde quer que eu esteja. Parabéns aos Loucos.

Alexandre Dias Pinto Coelho
alexandredpcoelho@yahoo.com.br