Coluna do Alexandre
Nº 18 - Outubro/2014

Sobre Homens e Ratos

Estamos às vésperas da mais disputada eleição presidencial desde a redemocratização do país. De um lado um partido de esquerda, que advoga para si a invenção do Brasil, a partir de 2003, grupo que promoveu o crescimento de programas de distribuição de renda para a população mais pobre mas também às voltas com denúncias gravíssimas de corrupção, com boa parte de sua cúpula encarcerada no presídio da Papuda, condenados em última instância e com uma delação premiada no escândalo da Petrobrás, com envolvimento de peixes gordos da cúpula do partido e de sua base aliada. De outro lado, um partido de centro-esquerda, que mescla valores de social democracia e liberalismo econômico, responsável por um plano de estabilização econômica bem sucedido, reformas na estrutura governamental e bancária, além de um programa de privatizações elogiado por alguns e denunciado como também corrupto por outros.

Ambos os partidos apregoam ser sua visão de país a mais adequada aos rumos do Brasil, o atual modelo econômico, com incentivo aos consumo, contabilidade “criativa”, desprezando o tripé macroeconômico responsável pela estabilidade e intervenção estatal nos preços de combustíveis e energia, associados a uma elevada carga tributária e deficiências de infraestrutura, com consequente desindustrialização mostra sinais profundos de desgaste. Vivemos hoje sob a égide da Inflação associada à recessão, o pior dos mundos em economia. De sorte que o desemprego não aumentou, mas no caminho que o país hoje trilha, é mera questão de tempo para que cresça.

Uma disputa eleitoral envolve necessariamente pontos de vista distintos, até aí nenhum reparo a fazer. Este escriba vota na oposição, por exemplo, o que não impede que se elogie a inclusão social promovida pelo partido hora no poder ou a política de valorização do salário mínimo. Mas o que dizer quando o político maior do partido no poder resolve ignorar o legado de estabilidade que recebeu, atribuindo a si próprio a autoria de todas as coisas boas e virtuosas existentes no país? Que dizer de uma presidente que envia uma carta pelos 80 anos do antecessor de oposição, elogiando as conquistas de seu governo e depois as contradiz todas, dizendo em rede nacional de televisão que foram todas de autoria de seu partido? Que falar de gente que considera normal todos os escândalos escabrosos dos governos de seu partido, condenando a imprensa ou uma entidade abstrata chamada “as elites” pela divulgação e não o malfeito em si? Que pensar de pessoas que buscam denúncias já investigadas e arquivadas, com seus acusados inocentados para apresentar a uma população pouco informada como se fosse verdade? Que dizer de um partido que ataca essencialmente as pessoas de seus adversários e ao ser atacado assume a postura vitimista, que adota desde os tempos da ditadura? Que falar de pessoas que chegam a telefonar para beneficiados de Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida ameaçando com a exclusão dos programas caso a oposição vença?

Não estamos elegendo somente uma matriz econômica, ou uma ideologia política. Elegemos mentalidades. Um grupo que imagina valer tudo numa eleição é essencialmente um grupo de sociopatas. Até mesmo em uma guerra existem regras e aqueles que as desrespeitam invariavelmente acabam incluídos entre os grandes genocidas da história. Pessoas que desprezam a verdade em nome de ganhar ou ganhar são o que de mais perigoso existe no mundo. Gente que se imagina detentora da virtude, portadora da boa nova, aquela que irá mudar o mundo é sempre gente disposta a tudo, que imagina que os fins justificam os meios e que para vencer vale jogar fora o caráter, a decência, a honestidade.

Não obstante estarmos às portas de escolher o modelo de desenvolvimento do país para os próximos anos, estamos escolhendo o tipo de caráter que esta nação deseja para si. Não existem santos na política, a corrupção não foi criada pelo grupo no poder a 12 anos, mas foi enraizada, institucionalizada e incorporada por ele. Seus criminosos condenados foram chamados heróis, a justiça desqualificada, a imprensa vilipendiada e agora, durante a campanha eleitoral, vivenciamos o ápice da imoralidade na repetição da mentira à exaustão, numa tentativa de torna-la verdade. O velho manual dos antigos comunistas a serviço do Lulopetismo Gramsci-bolivariano: “minta sobre seus inimigos, acuse-o daquilo que você é, repita essas mentiras mil vezes, até que se tornem verdades”. Não estamos somente escolhendo um governo, estamos a decidir se vamos na trilha dos homens ou no caminho dos ratos.

Alexandre Dias Pinto Coelho
alexandredpcoelho@yahoo.com.br