Coluna do Alexandre
Nº 5 - Novembro/2010

Dias Perfeitos

O ano de 2010 foi, a despeito de uma excessiva carga de trabalho, pródigo em boas viagens sobre duas rodas. A melhor, sem dúvidas, para Rio das Ostras, no famoso Ostracycle. Foi uma jornada muito mais desejada que planejada. Eu e Gabriel conseguimos as devidas folgas e alforrias, marcamos a data de saída e fomos nós, sem roteiro, previsão de paradas ou hora de chegada. Não ficaríamos em Rio das Ostras, mas em Cabo Frio, num bem montado apartamento que os pais do Gabriel possuem por lá.

Saímos por volta das 12 horas de sexta feira, trânsito pesado até Lafaiete, boas retas até Barbacena e curvas estimulantes até Santos Dumont. Parada para abastecimento, sem beber muita água. Nova etapa e então pista dupla, um tapete para as motos que puderam andar a plenos pulmões. Descemos a Serra de Petrópolis, o melhor dos lugares para um motociclista exercitar a arte de fazer curvas, direita, esquerda, direita, esquerda, numa sucessão deliciosa e quase sem fim, dolorida para os braços, relaxante para a mente e apaixonante para a alma. As motos que deitam e o horizonte inclinado, só aviadores e motociclistas vêem o mundo assim. O desejo é que não acabe nunca, mas acaba, e pior, defronte a uma praça de pedágio. Calor abafado e chegamos à Baixada Fluminense, trânsito pesado até Cabo Frio.

Ao chegar dificuldade com as chaves, que não conhecíamos bem, banho e rua. Uma pecaminosa moqueca de Badejo na primeira noite, pena não ser capixaba. Sábado de sol e praia, o dia todo. Algumas cervejas, um bom peixe, um ótimo bate papo e a brisa de Cabo Frio. Não sei bem se pela falta de banheiros próximos ou pela temperatura, a água estava deliciosa. Um restaurador sono à tarde e ao morrer do sol nos pusemos novamente sobre duas rodas, destino: Rio das Ostras.

O encontro era grandioso, entre os maiores que já vi. Uma longa avenida repleta de motocicletas, expositores de tralhas motociclísticas para todos os gostos, bons palcos, boas bandas, rock da melhor qualidade. Ao fundo o mar e o belo píer, onde casais namoravam, famílias pescavam e muitos se dedicavam a um despretensioso footing noturno. No fim da noite tomamos a proa de Cabo Frio, sentindo uma deliciosa e amena brisa marinha enquanto pilotávamos, noite de lua, poesia no ar e visibilidade plena à frente. Domingo cedo iniciamos nosso retorno pela Via Lagos, com seu criminoso pedágio. Passamos pela bela ponte Rio Niterói, com a deslumbrante visão da Baía de Guanabara. Avenida Brasil, subida da serra, lanche no alemão e o caminho de volta até Belo Horizonte.

O leitor deve estar se perguntado o que aconteceu de inusitado nessa jornada que pudesse motivar esta crônica. Nada, não aconteceu nada. Esse é apenas um relato daquilo que muitos chamam perfeição. Tudo no seu rumo, o tempo certo, a viagem certa, o amigo certo, o clima e o lugar certos. Dias perfeitos.

Alexandre Dias Pinto Coelho
alexandredpcoelho@yahoo.com.br