Coluna do Alexandre
Nº 6 - Dezembro/2010

Deu na Internet

Recentemente circulou pela internet que 90% das motos roubadas eram destinadas à prática de assaltos, assassinatos, entrega de drogas e outras atividades pouco recomendáveis. Algumas notas mais alarmistas divulgam golpes onde um motoqueiro avisa a algum incauto motorista que seu pneu estaria furado, arranca e vai embora. O motorista vendo o ocupante da motocicleta se distanciar estaciona o carro e surpresa: outra dupla chega de moto e o assalta.

Deu também na web que muitos motociclistas, 324 para ser exato, usaram o próprio corpo para tapar a placa de suas motocicletas em São José dos Campos ao praticar infrações próximas a radares fixos. Confesso que fiquei curioso em saber como esticar o corpo a ponto de tapar uma placa atrás da moto e não se estatelar no chão, mas tendo em vista a imensa probabilidade de ir parar em algum pronto socorro com uma ou duas dúzias de ossos quebrados, deixei de lado minha curiosidade.

Recentemente li em um site notícia que informava ser a motocicleta a maior das causas de invalidez entre homens jovens. O mesmo texto informava que o segundo lugar pertencia aos acidentes de trabalho, o terceiro aos automóveis e a quarta colocação às balas de armas de fogo.

Circula ainda um e-mail por aí dizendo que homens com mais de 40 anos tem apenas três preocupações na vida: arrumar uma loira gostosa, saber o preço do Viagra e comprar uma moto, barco, carro importado ou avião.

Os leitores, afeitos às duas rodas podem então ver em que situação nos metemos. Somos malabaristas acostumados a praticar toda sorte de contorcionismos com vistas a evitar autuações pelo excesso de velocidade que nos é tão comum. A gasolina anda cara, o que nos obriga a expropriar de outrem o numerário para as viagens. Para tal somos criativos em nossos expedientes, mas o fato é que somos na maioria das vezes amigos do alheio, que se congraçam em encontros motociclísticos, morrendo de rir de nossas pobres vítimas, ao som de rock'n roll e com a cara cheia de cerveja.

Temos o mau hábito de morrer ou ficar aleijados mais cedo e com mais freqüência que a maioria dos mortais, incluídos aí os motoristas, os pedreiros que de quando em vez desabam de algum andaime e pasmem, até mesmo as vítimas dos tirambaços, tão comuns pelas bandas do Rio de Janeiro.

A situação específica deste colunista é ainda pior. Além de todas as desgraças supra descritas e das quais serei também vítima, sou homem e conto 42 anos. Uma vez que já possuo a moto, não vislumbro perspectiva financeira atual de adquirir um carrão importado, não sei pilotar aviões, tampouco barcos e loiras gostosas representam somente uma garantia de espancamento, resta procurar saber o preço do Viagra. E só!

Tornei-me o bandido do Sildenafil, o pária do Cialis, o maníaco da Tadalafina. No ritmo em que a coisa vai em breve o BOPE baterá lá em casa, invadirá meu jardim montado num blindado dos fuzileiros, tiros, revista geral. Serão relacionados como provas as motocicletas e os anúncios da Drogaria Araújo. Qualquer objeto encontrado e que porventura não tenha nota fiscal será considerado fruto do roubo motociclístico, entre carros e falsos pneus furados.

Previnam-se todos, somos o próximo alvo da cruzada moralizadora das autoridades. Em breve seremos filmados pelo helicóptero da Rede Globo fugindo a pé, empurrando nossas motos sem gasolina em direção a alguma mata, sob os tiros da polícia. De minha parte já estou de partida do país, não há previsão de volta ou endereço de correspondência, adquiri passagem só de ida para o Cazaquistão, que segundo alguns conhecidos não possui acordo de extradição com o Brasil. O último a fugir apague a luz do motoclube. A propósito, alguém sabe quanto anda custando uma caixa de Viagra no Cazaquistão?

Alexandre Dias Pinto Coelho
alexandredpcoelho@yahoo.com.br