Instruções para Viagens 

Em uma viagem, qualquer item que não seja pensado antecipadamente pode vir a ser um problema mais tarde. Certamente a experiência vai gradualmente diminuindo as possibilidades de incidentes e contra tempos.

Andando contra o Sol

O sol muito baixo não pode ser evitado com quebra sol ou viseira de um capacete.

Quando estamos programando uma viagem, é aconselhável evitarmos o sol nascente e o poente, ou na melhor hipótese estudar os mapas para verificar se estaremos nos colocando nesta situação no caso de uma viagem mais longa.

Óculos escuros podem ajudar mas devem ser encarados apenas como uma opção paleativa quando a viagem não pode esperar. O ideal é dar uma parada e esperar para prosseguir. Esta situação não deve se prolongar por mais de meia hora desde o ponto que o sol começa a incomodar, até a proteção do horizonte ou montanhas ao fundo.

Lembre-se que as dificuldades que temos com o sol no rosto são agravadas para os motoristas que normalmente não têm o para-brisa tão limpo e pode estar imediatamente atrás de você.

As viseiras transparentes normalmente têm pequenos arranhões que atravessados pelo sol tornam-se verdadeiras estrelas de luz bem diante de seus olhos, neste caso é aconselhável abrir ou retira-la e usar um óculos escuro de preferência de boa marca e limpo (nunca viaje sem proteção para seus olhos).

Estes pequenos detalhes enfatizam a necessidade de se programar uma viagem, principalmente quando motociclistas com menos experiência acompanharão o grupo e a segurança deles depende de quem está liderando.

Continue "seguindo o sol", mas deixe ele ir um pouco a sua frente que você sempre vai chegar lá.

Viajando de moto sozinho

Semelhante ao mergulho, deve-se evitar a viagem solo, ou seja, uma só moto. O mínimo recomendado são dois motociclistas. No caso de uma pane, existe alguém para buscar socorro enquanto a moto não fica sozinha. Mas se for inevitável, seguem alguns conselhos que podem ajudar na sua viagem.

Comunicação:

Sempre que possível, leve um telefone celular e os números de locais e pessoas que você possa precisar, como por exemplo: o Hotel que você está indo, seu mecânico, etc...

Lembre-se que alguns celulares tem cobertura limitada, como é o caso de celulares de cartão.

Check-up:

Desnecessário lembrar que a moto deve estar em condições para a viagem. Por menor que seja a distância, você vai estar longe de casa e isto aumenta muito um pequeno problema.

Dentre os itens normais de manutenção preventiva, dê especial atenção:

- Condições e calibragem dos pneus.

- Nível do óleo. Verifique se a distância não excederá a hora da próxima troca.

- Nível do fluido de refrigeração (quando aplicável).

- Pastilhas de freio

- Fixação dos retrovisores (indispensável o uso)

Programação:

Com o auxílio de um mapa, programe as paradas de acordo com a autonomia de sua moto e seus limites. Para motociclistas com menos experiência, aconselhamos uma parada a cada 100 km aproximadamente. Para viagens longas e motociclistas em boas condições físicas, os primeiros 100 ou 200 km não mostram o cansaço, mas acreditem, as paradas iniciais farão muita falta no final.

Para programar as paradas pode-se contar com a ajuda de mapas rodoviários que mostram postos de abastecimento e paradas.

Na Internet pode-se obter ótimos mapas no site www.estradas.com.br. ou então através dos guias especializados adquiridos nas bancas de jornais e revistas.

Posicionamento na estrada:

- Estradas de mão dupla:

Ocupe a sua faixa posicionando-se no espaço relativo a um carro (Centro da faixa), evitando assim a tentativa de um veículo de quatro rodas em se posicionar a seu lado.

Só ultrapasse com segurança e quando houver espaço para você voltar para sua pista. Certos motoristas não gostam de dar espaço para motos e você acaba ficando "preso" entre as duas pistas e em situação de muito perigo. (Lembre-se, em sua grande maioria, os caminhoneiros, taxistas, motoboys e motoristas de ônibus, ou são cornos, ou viados ou FDP. Ou tudo isso junto. Eles não estão nem ai para o que pode acontecer com você.)

- Estradas de mão única, duas pistas:

Da mesma maneira que acima, posicione-se ocupando o espaço relativo a um carro. Trafegue normalmente pela faixa da direita usando a faixa da esquerda somente para ultrapassagens. Nas mudanças de faixa use o retrovisor mas dê uma rápida olhada antes, dependendo da posição, seu retrovisor pode esconder um carro pequeno.

Atenção especial para incidência de óleo na pista da direita (pista dos caminhões).

- Estradas de mão única, três pistas ou mais:

Idem a duas pistas, mas dependendo do movimento da rodovia, pode-se trafegar pela pista do meio, evitando assim o óleo da pista da direita. Porém redobrar a atenção com os retrovisores em relação aos carros que se aproximam, não é incomum automóveis te ultrapassando pela direita.

Velocidade:

SEMPRE respeite os limites de velocidade das estradas, em caso de chuva, reduzir os limites para velocidades em que você se sinta seguro pilotando. Nas curvas, inclinar a moto bem menos que o habitual e cuidado com o óleo.

Se seus pneus não estão em condições (sulcos com no mínimo 1,6 mm), não viaje na chuva, PARE e espere.

Roupas:

USE SEMPRE CAPACETE. Se sua moto não é uma Custom com bolha (parabrisa), que proteja seu rosto, use sempre capacete integral ou com viseira. Uma pedra levantada por um carro ou por seu próprio pneu dianteiro a 100 km/h, pode machucá-lo e derrubá-lo com o susto, isto sem falar dos insetos.

Apesar do calor não abra mão do casaco de couro, calças jeans ou couro e botas. As luvas são importantes para proteção e evita que depois de um dia inteiro de viagem no sol você descubra que ganhou um par de mãos vermelhas na extremidade de braços brancos.

O casaco de couro não protege do frio, em caso de frio intenso, usar uma roupa quente por baixo. Na emergência, jornal por dentro da jaqueta, luvas e botas faz milagres.

A noite procure usar algo colorido por cima do casaco, adesivos reflexivos no capacete também ajudam. Lembre-se você tem que ser visto de longe.

Toques:

Se uma moto ou carro, normalmente com dois ocupantes chega rápido em você e não te ultrapassa, procure o primeiro posto policial ou parada, pode ser uma tentativa de assalto.

Em caso de pane e sem garupa, não deixe a moto na estrada. Procure parar um caminhão ou pick-up e transporte a moto até lugar seguro. No transporte sem cordas para amarrar, coloque a moto transversalmente, se possível, arme o descanso lateral, posicione-se no lado oposto ao descanso e peça ao motorista para ir devagar.

Se a garupa for mulher, é mais seguro ela ir procurar socorro de preferencia em um carro de família e você ficar com a moto.

Viagem em grupo – posicionamento na estrada

Quando um grupo vai se juntando no decorrer de uma viagem, fato muito comum no caminho para um evento de motos, fica muito difícil estabelecer-se regras para motociclistas que não se conhecem, aí vale o bom senso e as regras básicas de segurança.

Mas como você tem um grupo, alguns cuidados devem ser tomados tornando a viagem mais agradável e segura.

- Identifique os dois motociclistas mais experientes. Um deve liderar o grupo e o outro deve fechar o grupo, ou seja, ser o último. A segurança do grupo pode depender desses dois.

- Identifique o menos experiente e a menor moto. Estes serão os limites de seu grupo em relação ao número de paradas e velocidade.

- O grupo deve sempre ocupar uma pista inteira da rodovia, posicionando-se em uma formação lado a lado defasada, ou seja, como marcas de "passos na areia". É importante manter-se dentro do campo de visão do motociclista à sua frente verificando se ele pode vê-lo pelo retrovisor.

- Em rodovias de três ou mais pistas, mantenham-se na pista central, normalmente a pista da direita apresenta mais buracos e óleo, ambos causados por caminhões.

- Em rodovias de duas pistas, mantenham-se na pista da direita, apesar dos problemas acima mencionados, neste caso é a pista mais segura.

- Em rodovias de mão dupla, os grupos grandes devem abrir espaços com subgrupos de quatro ou seis motos permitindo assim a ultrapassagem de veículos mais rápidos. Congestionar o transito na subida de uma serra por exemplo, irritará os motoristas que acabarão forçando uma ultrapassagem e colocarão em risco os motociclistas.

- As ultrapassagens, sempre que possível devem ser feitas de forma contínua, ou seja, o líder deve esperar condições que permitam a ultrapassagem de todo o grupo. Uma ultrapassagem segura requer entrosamento entre o líder e o último, ou drag bike, ou usando a linguagem dos escoteiros, o lanterna. O líder percebendo as condições ideais sai para esquerda. Imediatamente o último sai também para o meio da pista dando cobertura para que todos ultrapassem com segurança. Após a ultrapassagem todos devem retornar a posição original.

- Durante o processo de ultrapassagem é muito importante que ao voltar à pista original, o líder se certifique que haja espaço para todos do grupo entrarem, sem haver necessidade de forçar uma entrada sobre o veículo ultrapassado ou que os últimos fiquem perigosamente trafegando na pista da esquerda aguardando alguém permitir a entrada, ou seja, a velocidade de ultrapassagem do líder deve ser mantida até que haja espaço para todos retornarem à pista original.

- Também o líder deve ter o cuidado necessário de ao iniciar a ultrapassagem, fazê-la o mais rápido possível. O pior erro que se pode cometer é sair para a esquerda, levando o grupo junto e emparelhar com o veículo ultrapassado, demorando a ultrapassagem e deixando os últimos da fila em situação muito perigosa e incômoda com os carros que podem vir também ultrapassando.

- Em rodovias de mão dupla, os procedimentos acima não se aplicam em sua totalidade, pois acrescenta-se mais um item nesta equação, que são os carros vindo em sentido contrário. Neste caso o mais indicado é que as ultrapassagens sejam feitas de forma gradativa. É muito comum vermos os que já ultrapassaram dando sinal que a pista está livre. Este é um procedimento muito perigoso, salvo se os envolvidos tiverem um conhecimento mútuo muito grande. Pode ser que quem está na frente tenha a impressão que a distância do carro que se aproxima seja suficiente para ultrapassar, mas quem está ultrapassando demora um pouco para achar a marcha, ou iniciar o processo de aceleração e acaba ficando em situação de grande risco. SÓ ULTRAPASSE EM VIAS DE MÃO DUPLA COM TOTAL VISIBILIDADE E COM SEGURANÇA.

-NUNCA ultrapasse pela direita, principalmente em grupo, quando o motorista pode se assustar com você e jogar o carro sobre seu companheiro que ultrapassa pelo lado correto.

Da mesma forma que ultrapassar é um procedimento perigoso, ser ultrapassado também se torna uma situação de risco. Numa estrada cujo limite de velocidade é 110 km/h por exemplo, 80 km/h está longe de ser uma velocidade segura de se viajar. TODOS os carros que se aproximam, pela esquerda ou pela sua pista terão que ultrapassá-los. Sem contar com a situação crítica quando um carro vem emparelhado com outro, ambos a 110 km/h e logo após uma curva se vê frente a frente com um grupo de traseiras de motos a 80km/h. Dentro do possível devemos andar perto do limite de velocidade da estrada.

- Não havendo esta condição ideal, caso com transito muito intenso, as ultrapassagens devem ser feitas gradualmente e o líder deve esperar que o grupo se una novamente antes de iniciar um novo processo de ultrapassagem.

Viagem em grupo – Sinais.

Alguns sinais podem ser combinados entre os participantes de um grupo que pretende viajar, mas é bom saber que alguns sinais já tornaram-se padrão por motociclistas acostumados a viajar em grupo e o conhecimento destes procedimentos pode ajudar quando vários grupos ou motociclistas se encontram em uma viagem, fato que normalmente ocorre em ocasiões de eventos motociclísticos.

Sinais dos loucos:

Nota: todos os sinais devem ser feitos pelo Líder (Puxador) e repetido por todos os integrantes do grupo.

1.Obstáculo a frente, como buraco ou lombada

Indicar com o pé (direito ou esquerdo, dependendo do lado do obstáculo).

2.Parada ou emergência a frente:

Mão esquerda espalmada para cima.

3.Dobrar a esquerda:

Apontar para esquerda na altura do ombro – não isenta o uso do pisca.

4.Dobrar a direita:

Apontar para direita por cima do capacete – não isenta o uso do pisca

5.Retornar a frente:

Apontar para cima fazendo círculos no ar.

6.Reduzir velocidade:

Braço esquerdo aberto subindo e descendo (como um leve bater de asas).

7.Problemas na moto ou estou sem gasolina

Indicar com o polegar da mão esquerda virado para baixo, subindo e descendo o braço.

8.Quando alguém precisa de uma parada não programada

O motociclista ultrapassa o grupo todo, fica imediatamente a frente do líder e pisca para esquerda em tempo suficiente para que todos perceberem sua intenção, permanecendo nesta posição até a parada efetiva.

Estes são os sinais básicos usados por nosso grupo.